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Thuby-Thuby
O que diriam agora todos
ninguém poderia pensar que os sons do violão
daquela última semana de novembro
eram destinadas a ela
alguns até tinham suspeitas
mas não passavam de suspeitas
e então como mágica
tudo fazia sentido
os meses se passaram
e eles continuaram juntos
os caprichos da mulher
se renovavam com o tempo
cada vez mais e mais
se fazia impor sua vontade
ainda mais depois
de ser chamado de Thuby
Escrito por Ele mesmo às 15h29
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Matou o tempo
Aquela conversa ao telefone
deixava cada vez mais
um gosto amargo na boca
ensurdecia as aparências
as palavras pediam:
mais silêncio, por favor!
não se sabe como
ele aprendeu aquilo tudo
matou o tempo ontem
disseram-me certa vez
que a história que conto
foi a última escrita
pode ser mentira
mas, eu acredito
que seja a última história
que seja a última linha
Escrito por Ele mesmo às 16h53
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Devedor
Andava mais rápido
quando passava
em frente
daquela casa amarela
quando, como se
estivesse adivinhando,
encontrou-o
e mirou seus olhos
um se surpreende
o outro finge se surpreender
um se esquiva
o outro cerca
dá um sorriso sem graça
se desculpa mais uma vez
dois passos para trás, meia volta
para um futuro próximo encontro
Escrito por Ele mesmo às 09h26
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A Vez
Ligou e disse
que não iria trabalhar
comprimidos ao lado
no criado mudo
olhou e não os tomou
um gole no copo
quase sem água
e levantou-se
tomou um banho demorado
colocou uma roupa
e depois a tirou
colocou outra e saiu
pegou um ônibus
desceu no ponto final
em frente ao teatro e
entrou na fila para o teste
Escrito por Ele mesmo às 12h38
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Vídeo Game Vídeo
Luzes convulsivas
entretém os olhares
estimulam batimentos cardíacos
distraindo a tristeza
se esquece de quem é
olhos amarelados
arregalados ao máximo
não respira mais
perde o sono
perde a fome
não vai mais ao banheiro
faz tudo ali mesmo
seu corpo apodrece
o cheiro de morte
parece evidente
até que chega
Escrito por Ele mesmo às 08h00
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8 Meses (ou Estágios 1, 2 e 3)
Abre os olhos
não acredita
o relógio mostra
que é cedo para acordar
anima-se
vai à padaria
retorna, come
e volta a dormir
liga para ela
fala com ela
é hora do almoço
encontra
estágio 2, ela está alegre
estágio 3, ela está brava
estágio 1, ela está normal
estágio 2, ela está alegre
Escrito por Ele mesmo às 10h12
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Um Pulmão em Baixo D´água
Não enxergava nada
o limpador do pára-brisa
estava muito gasto
e a garôa o cegava
percebeu que seu atraso
era maior que o de costume
pisou fundo no acelerador
o que aumentara sua cegueira
o seu atraso era esperado
assim como a desculpa pronta
que ele sempre dava
não havia surpresa
subiu dois lances de escada
para entrar, empurrou pessoas
para sentar, limpou a cadeira
e encheu de ar seu pulmão
Escrito por Ele mesmo às 09h16
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Cachorro-quente
Parecia ser mais um
domingo sem movimento
como qualquer outro
perda de tempo
quando uma voz chama-lhe
estava distraído e se assusta
queria um lanche sem maionese
com bastante ketchup
- não tem. avisa o senhor
cortando o pão
o cheiro estava bom
e o rapaz agasalhado tremia
no momento que entrega o lanche
carros da polícia fazem o cerco
quando recebe o dinheiro percebe
que a nota estava encharcada de sangue
Escrito por Ele mesmo às 10h29
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Quarta-feira
Quando tentou mostrar
aquela música
correu para casa e se trancou
a chuva iria começar
ainda era quarta-feira
mas eles fingiram
que o fim-de-semana
havia chegado
cheia de surpresas
ao menos hoje não queria se arriscar
também não gostava de acordar cedo
e muito menos tomar banho no frio
o telefone cansou de tocar
seja quem for, não iria levantar
levou seu café na cama queria fazer de tudo por ela
Escrito por Ele mesmo às 22h40
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Feira
Não estava passando bem
fazia um enorme esforço
para não esbarrar nas coisas
e nas pessoas
algumas delas o olhavam
talvez por reconhecê-lo
ele estava sempre lá
todas as sextas-feiras
em seus braços
muitos livros
que provocavam
um ligeiro desequilíbrio
não gostava muito de esperar
e para adiantar as coisas
pediu um yakissoba sua linda amada estava atrasada.
Escrito por Ele mesmo às 17h53
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Ensaio
O ar estava pesado
mal conseguia enxergar
quem estava na sua frente
não havia ventilação
não demorou muito
muitas gotas de suor
escorriam pelo seu rosto
encharcando sua camisa
com o tempo,
passou a se escorar na parede
depois jogavou as latas de cerveja
no chão para sentar no amplificador
os calos da mão agradeciam
o final daquela jornada
estava mais feliz e um pouco mais surdo
Escrito por Ele mesmo às 10h37
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Sem Guarda-Chuva
Já estava caminhando
a um bom tempo
e levaria outro tanto
para chegar em casa
começou a chover
parou. Olhou para o céu
a chuva aumentou
continuou a andar
em poucos segundos
estava encharcado
não gostou nada disso
levaria uma bronca da esposa
a rua a sua frente estava alagada
não deu importância e seguiu
foi quando suas pernas não tiveram forças
deixou-se levar pela água
Escrito por Ele mesmo às 12h06
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Chão
Fazia aquele caminho sempre
passava pelas mesmas pessoas
abria a porta,
fechava a porta.
geralmente ela chegava antes
mas desta vez,
cheguei primeiro.
esperei só um pouco
ela sentou no chão
disse-me para fazer o mesmo
fiz uma cara, como quem diz:
“eu não, está louca?”
e ela fez uma cara, dizendo:
“e daí... senta logo!”
olhei para os lados e sentei. como todos os dias desde então
Escrito por Ele mesmo às 15h30
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Crash!
Estava tudo certo
a estiagem estava firme
as horas confirmavam
que estávamos no horário
a dosagem de seu perfume
embriagava meus sentidos
e por isso, às vezes,
distraia-me no trânsito
dizia que estava calor
mas falava “calor”
de um jeito, que
fazia-me sorrir
vou pular o fim da história
e vou termina-la
estraguei tudo
essas linhas já passaram
Escrito por Ele mesmo às 18h53
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Karla
Cabelos castanhos ondulados na medida certa solto ressaltam seus olhos gosta de prende-los com um nó
no seu andar postura correta e cabeça levantada dão a impressão de superioridade e de auto-suficiência
seu olhar misterioso suas maçãs avermelhadas um rosto redondo boca umedecida
parece sempre proteger-se guardar-se num labirinto o mundo queria esconder você mas te encontrei
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Escrito por Ele mesmo às 19h51
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